Laboratório clínico de investigação animista

Campo de investigações clínicas, poéticas e espirituais que busca tensionar os limites da psicologia moderna ao acolher experiências animistas e modos de vida que se entendem como espirituais. Inspirado pelas proposições do psicólogo pós-junguiano James Hillman e atravessado pela esquizoanálise, o projeto propõe uma escuta que se permite ser povoada por imagens, vozes, ancestralidades, sonhos e presenças que não cabem nas categorias racionais da clínica tradicional.

Trata-se de uma prática clínica que reconhece a existência da alma como multiplicidade — e que sustenta um espaço ético de cuidado onde as subjetividades não precisam se ajustar ao instituído. Uma clínica que considera os atravessamentos espirituais como parte da vida psíquica, abrindo espaço para pensar saúde mental para além do diagnóstico e da normatividade.

Idealizadora

Giuliana de Paula Oliveira é psicóloga (CRP 16/3606), pós-graduada em Psicologia Analítica pela UNIFIA (2018) e mestranda em Psicologia Institucional pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Atua em consultório clínico desde 2015, com escuta voltada a processos subjetivos singulares, ancorada na psicanálise e atenta às dinâmicas da transferência, do inconsciente e do tempo da alma.

Sua prática se desdobra em três campos principais. O primeiro é a clínica individual, espaço íntimo de escuta e acolhimento do sofrimento psíquico. O segundo campo é coletivo e vinculado ao movimento ecofeminista Femear, que convoca mulheres ao exercício de sua criatividade, à legitimidade de suas cognições sensíveis e à partilha de saberes insurgentes. Nesse contexto, Giuliana é facilitadora de círculos de mulheres e desenvolve uma dissertação sobre o conceito de “frequência uterina” como disparador estético-político.

O terceiro campo é um território em expansão chamado Povoando a Clínica, laboratório clínico-poético onde investiga modos de vida espirituais, experiências animistas e epistemologias sensíveis no campo da saúde mental. Inspirada pela psicologia pós-junguiana de James Hillman, pelo pensamento esquizoanalítico e por cosmologias plurais, Giuliana experimenta uma clínica que acolhe imagens, presenças, vozes e formas de vida que desafiam o modelo biomédico da subjetividade. Seu trabalho se fundamenta em um compromisso ético com a diversidade de mundos e com práticas de cuidado que não excluem o invisível.